Os novos centros de decisão do mundo
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Vivemos num mundo multipolar em que as decisões importantes são cada vez menos tomadas na Europa e nos Estados Unidos. Saiba que cidades são os novos focos de poder.

Um punhado de cidades fora do mundo ocidental estão a tornar-se rapidamente intervenientes importantes de negócios mundiais. Alguns dos países dos quais essas mesmas cidades fazem parte estão a reconhecer essa potência e estão a tentar criar um mundo multipolar que não seja tão dependente dos Estados Unidos e da Europa. Essas são as cidades potência fora das principais economias do ocidente.

1. Pequim

População: 11,9 milhões.

O centro político da China quer tornar-se no grupo de reflexão para o desenvolvimento da Ásia Central e do Sudeste Asiático. Com o novo Banco de Investimento de Infraestruturas Asiático e a proposta de Pequim da Iniciativa da Rota da Seda, Pequim é o centro do universo multipolar.

2. Xangai

População: 14,5 milhões.

Esta é a caixa de Petri do capitalismo da China. É aqui que normalmente o governo inaugura projetos piloto como zonas de comércio livre e a abertura da bolsa de valores do país a estrangeiros pela primeira vez. No que toca ao poder económico asiático, Xangai é a nova Tóquio.

3. Hong Kong

População: 7,2 milhões.

A região autónoma da China tem a sua própria moeda e sabe como fazer capitalismo. A maioria dos principais bancos de investimento do mundo encontram-se aqui. Hong Kong é a Londres da Ásia. Quer negociar o yuan chinês? Então tem de ter um corretor nesta cidade. Boa sorte para encontrar um apartamento para arrendar barato em Kowloon.

4. Moscovo

População: 11,5 milhões.

A Nova Moscovo ergue-se sobre o rio Moscovo. As torres são as mais altas da Europa e simbolizam aquilo que a Rússia quer ser considerada pelo resto do mundo no futuro: uma importante potência mundial. Desde a altura que foi virtualmente banida da União Europeia em 2014 devido às suas desaventuras na Ucrânia, a Rússia começou a aproximar-se mais da China para questões políticas. Esta cidade vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar Pequim a garantir que os Estados Unidos e Bruxelas não controlam o mundo.

5. Singapura

População: 5,3 milhões.

A cidade é o centro do comércio na Ásia. E enquanto os portos no sul da China vão ultrapassar mais cedo ou mais tarde os da Singapura, esta cidade-estado vai continuar a permanecer uma central comercial regional por várias gerações. É um facto inalterável. Qualquer pessoa que faça negócios na Ásia faz negócios na Singapura.

6. Mumbai

População: 12 milhões.

Esta cidade é o núcleo do comércio na Índia e é o emblema da história do crescimento deste país, e vai continuar a ser por várias gerações.

7. Dubai

População: 2,1 milhões.

Uma cidade futurista e diversificada, o Dubai, situado nos Emirados Árabes Unidos, tornou-se numa Meca do imobiliário, das finanças, da logística e do turismo. É aqui que se encontra um dos portos citado no Top 10 dos maiores portos do mundo. Não existe nada nos Estados Unidos que se compare a isto. Além disso, conseguiu ser bem-sucedida em tornar os Emiratos Árabes Unidos numa plataforma de ligação comercial por via aérea dos Estados Unidos e a Europa à Ásia.

8. Abu Dhabi

População: 2,2 milhões.

Esta cidade migrante é a capital dos Emiratos Árabes Unidos O país é produtor de petróleo, mas a sua economia diversificada está mais ligada aos serviços do que propriamente aos produtos. Está a ganhar atenção por parte de Hollywood (foi aqui que foi filmado o Velocidade Furiosa 7) e, tal como Dubai, também serve de plataforma de ligação entre o Ocidente e o Oriente. Há uma geração atrás, esta cidade era apenas um deserto. Há sessenta anos atrás, este local era mais nómada do que um luxo de cinco estrelas.

9. Doha

População: 796.000.

A capital do Qatar não é ultrapassada pelas suas rivais nos Emiratos Árabes Unidos A sua linha aérea, a Qatar Airways, é uma das melhores do mundo. A sua economia é diversificada. É um local pacífico. É basicamente como a maioria de nós gostaria de ver o Médio Oriente. Se quer saber como vai ser o futuro do Irão e do Iraque num mundo ideal, o Qatar e os Emiratos Árabes Unidos são o melhor exemplo que pode ter.

10. Kuala Lumpur

População: 1,6 milhões.

As torres gémeas da empresa petrolífera Petronas da Malásia são os edifícios mais altos do país pertencente aos antigos Tigres Asiáticos. O crescimento da China, não o dos Estados Unidos, vai garantir o bom crescimento destas cidades no futuro.

11. Cidade do México

População: 8,8 milhões.

A Cidade do México tem a vantagem de ter uma relação próxima com os Estados Unidos graças ao antigo Acordo de Comércio Livre da América do Norte. O custo elevado de vida na China está a ajudar a levar alguma fabricação americana para fora do território americano e a baseá-lo nesta cidade. É claro que isso tem os seus problemas, tal como acontece com a maioria das cidades da América Latina com uma forte esfera de influência dos Estados Unidos No entanto, a Cidade do México não é desleixada. Há espaço para crescer, e muito desse crescimento irá acontecer aqui mesmo.

12. São Paulo

População: 11,3 milhões.

É a Death Star. Usa a força, Luke. Esta megacidade precisa de algum trabalho, contudo é o coração das finanças brasileiras. As novas multinacionais LatAm vêm deste estado, e desta cidade. São Paulo situa-se junto aos Estados Unidos, mas não são os melhores amigos. É tudo uma questão de dinheiro e vai sempre em direção aos maiores clientes.

13. Rio de Janeiro

População: 6,3 milhões.

No mundo dos negócios, o Rio é conhecido por duas coisas: turismo e petróleo. É aqui que se encontra a sede da Petrobras. Quando a Shell Oil adquiriu a BG Group em abril de 2015, citou esses campos de petróleo como as principais razões por detrás do negócio. É claro que há espaço para erros nesta cidade. Mas se a cidade do Rio de Janeiro jogar bem as suas cartas, a Petrobras pode tornar a cidade num núcleo de tecnologia petrolífera de elevada qualidade, semelhante ao que a Noruega fez com as suas descobertas de petróleo no Mar do Norte. O Rio de Janeiro pode não ser disciplinado. Pode ser uma cidade violenta. Mas continua a ser a “Cidade Maravilhosa” do Brasil e isso nunca vai mudar. O Rio de Janeiro vai continuar a ser uma das cidades mais importante das Américas.

Regresso ao futuro

Até um certo ponto, a cidade de Nova Iorque foi vista pelos europeus como a sua Xangai. As finanças de Nova Iorque rivalizaram com as de Londres, contudo, a capital inglesa não desapareceu do mapa. As cidades americanas vão continuar a ser um refúgio para a inovação. E desde que a classe média continue forte, as cidades americanas vão continuar a ser um mercado a não perder para tudo, desde as sandálias brasileiras às tecnologias de informação indianas.

Teerão? Será? E porque não? Vimos o que aconteceu com Abu Dhabi, Dubai e Doha em apenas duas gerações. Ainda são todas muçulmanas. O chamamento para a oração ainda ecoa das centenas de mesquitas espalhadas por toda a cidade. São exemplos do que os líderes podem conseguir se a sua sociedade estiver disposta a tolerar as diferenças. Irão… este pode ser o teu aspeto em 2050!

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