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À medida que o poder económico e as ambições do país aumentam, tornou-se prioritário fazer com que as forças armadas projetassem poder para fora das fronteiras.

O presidente Xi Jinping anunciou uma monumental reforma do exército chinês de modo a tornar o maior exército do mundo mais pronto para o combate e mais bem equipado e assim projetar força para além das fronteiras do país.

Sob a reorganização, todos os ramos das forças armadas estarão sobre comando unificado, comunicou Xi a um encontro de oficiais em Pequim na passada quinta-feira, relata a agência de notícias oficial Xinhua. Em setembro já a Bloomberg tinha revelado detalhes do plano, que pode também incluir a consolidação das sete regiões militares do país em quatro.

O plano também procura aumentar o controlo do Partido Comunista sobre o exército de 2,3 milhões de pessoas, com Xi a insistir que o exército mantenha “a correta direção política” em realçando que “o Partido Comunista da China tem a liderança total das forças armadas,” relatou a agência Xinhua.

Sob a liderança de China, a China tem sido mais assertiva nas suas reivindicações territoriais no Mar do Este da China assim como no Mar do Sul da China, aumentando as tensões com vizinhos como o Japão e as Filipinas, e também com os EUA. A política marca uma alteração face à anterior atitude chinesa de manter um perfil discreto e não atrair atenção na arena mundial, uma filosofia defendida pelo antigo líder da China Deng Xiaoping.

“Sob a liderança do partido, o exército passou de pequeno a grande, de fraco a forte, e de vitória a vitória,” decarou Xi aos líderes militares, de acordo com a Xinhua. “A razão pela qual o as forças armadas se têm mantido vigorosas é o facto de terem acompanhado os tempos e nunca terem parado de se reformar. Agora, à medida que o país passa de grande país a ser um grande e poderoso país, o desenvolvimento da defesa e das forças armadas está numa nova e histórica linha de partida.”

A presença no Djibouti

Xi, que se tornou líder da Comissão Militar Central ao tomar o poder em 2012 está pessoalmente a dirigir a reforma. Ele tornou público o seu compromisso com as reformas quando anunciou que o Exército de Libertação do Povo, o nome do exército chinês, iria ficar com menos 300.000 tropas numa parada militar em Pequim que marcava o 70º aniversário da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Yue Gang, um coronel reformado do Exército de Libertação do Povo, disse:

“Esta é a maior reforma militar desde os anos 50. A reforma vem alterar as fundações de um sistema militar de estilo soviético e alterá-lo para uma estrutura de comando conjunto, ao estilo dos EUA. Irá transformar o Exército de Libertação do Povo numas forças armadas especializadas que poderão ter um impacto muito maior no mundo.”

A marinha do país tem sido o ramo que mais visivelmente tem demonstrado o impulso de modernização, com navios de guerra avançados a participar em patrulhas anti pirataria no Golfo de Áden e a extrair cidadãos chineses de zonas de conflito na Líbia e no Iémen. Na quinta-feira, o ministro chinês dos negócios estrangeiros confirmou que a China estava em conversações com o Djibouti para construir infraestruturas logísticas para ajudar a abastecer navios da marinha chinesa a operarem na costa de leste de África.

Um presidente mais forte

As forças armadas têm sido um dos focos da campanha anticorrupção do presidente Xi, à medida que o mesmo consolida o seu poder sobre as mesmas. Xi expulsou dois vice-presidentes da Comissão Militar Central, assim como dúzias de generais, acusados de tudo desde desviar fundos públicos a venda de patentes. Xi afirmou que o Exército de Libertação do Povo iria criar uma nova estrutura disciplinar e um novo comité legal e político de forma a assegurar que o exército permaneça sob o controlo da lei.

“A reforma também aumenta o poder da Comissão Militar Central e do seu presidente,” afirmou Yue. “Esta é também uma lição aprendida com a última geração dos líderes militares, pois o anterior presidente da Comissão Militar Central tinha pouco poder real sobre as forças armadas.”

A última grande reforma do Exército de Libertação Popular, levada a cabo por Deng Xiaoping em 1985, reduziu o número de regiões militares, que anteriormente eram 11, e dispensou um milhão de soldados. No seu relatório anual ao Congresso dos EUA em maio, o Pentágono afirmou que a criação de entidades de comando conjunto “seria a alteração mais significante à organização do Exército de Libertação Popular desde 1949.”

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