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A OPEP e os produtores de petróleo de xisto podem estar a precisar de terapia relacional.

Depois de primeiro ter ignorado o xisto, depois ter-se preocupado com o mesmo, e finalmente lançar uma guerra de preços, a OPEP concluiu agora que não sabe conviver com a indústria norte-americana do petróleo de xisto.

“Petróleo de xisto nos Estados Unidos, eu não sei como é que havemos de viver juntos”, disse Abdalla Salem El-Badri, secretário-geral da OPEP a uma sala cheia de executivos do Texas ao Dakota do Norte num encontro anual em Houston.

A Organização de Países Exportadores de Petróleo, que controla cerca de 40% da produção global de petróleo, nunca selou um negócio com uma fonte de oferta de petróleo que pudesse responder tão rapidamente às alterações do preço como o xisto norte-americano, disse El-Badri. Tal reduz a capacidade do cartel de fazer subir os preços reduzindo a oferta.

“Qualquer aumento no preço fará com que a produção do xisto aumente imediatamente e cubra qualquer redução da oferta”, disse ele.

A produção do xisto

Zuma\TASS

Agência Internacional de Energia (AIE) deu ontem (22 de fevereiro) razões à OPEP para que se preocupasse com o petróleo de xisto, dizendo que o total da produção de crude dos EUA, a maioria de reservas de xisto, irá aumentar em 1,3 milhões de barris por dia de 2015 a 2021 apesar dos baixos preços. Enquanto se espera que a produção dos EUA a partir do xisto seja projetada para reduzir 600.000 barris por dia este ano e mais 200.000 em 2017, voltará a crescer novamente a partir de 2018, disse a Agência.

“Qualquer pessoa que acredite que presenciamos a última subida de produção do petróleo de xisto deveria pensar novamente”, disse a AIE no seu relatório.

John Hess, CEO de uma das maiores exploradoras de petróleo de xisto da região de Bakken, Dakota do Norte, afirmou que o xisto pode não responder tão rapidamente como teme a OPEP. Há dificuldades logísticas envolvidas em recolocar plataformas petrolíferas e trabalhadores de volta aos campos de exploração para fazer aumentar a produção novamente, para além de dificuldades financeiras.

Eis o que disse Hess, cuja empresa recentemente relatou o seu primeiro prejuízo anual em 13 anos:

“Os balancetes dos produtores de xisto estão com problemas. Eles têm de recuperar os seus balancetes antes de poderem voltar a investir.”

A OPEP lançou uma guerra de preços contra o xisto dos EUA e outros produtores de alto custo, incluindo as areias de petróleo do Canadá e os campos de águas profundas do Brasil, em novembro de 2014 ao não reduzir a produção apesar de um excesso de produção global. Desde então, os preços do petróleo caíram mais de metade, atingindo um mínimo de 12 anos de cerca de $26 a 11 de fevereiro.

Numa rara admissão de que a política seguida não funcionou como planeado, El-Badri afirmou que a OPEP não esperava que os preços do petróleo caíssem assim tanto quando decidiu manter a produção.

Mudança da estratégia

A estratégia da OPEP começou a mudar na semana passada, quando os ministros do petróleo da Arábia Saudita e da Rússia concordaram em congelar a sua produção para os níveis de janeiro, desde que outros países ricos em petróleo também se juntassem à medida. El-Badri afirmou que a nova política será avaliada em três ou quatro meses antes de decidir se vale ou não a pena tomar outros passos.

“Este é o primeiro passo para ver o que é que conseguimos obter”, disse ele. “Se for bem-sucedido nós daremos outros passos no futuro”. Ele recusou explicar que outros passos poderia a OPEP dar.

El-Badri disse que os baixos preços do petróleo causaram que as empresas fizessem demasiados cortes nos gastos em desenvolvimento de novas formas de produção, o que poderá levar a “preços muito altos” no futuro.

“A preocupação é que sem investimento agora, não haja oferta no futuro. É tão simples como isso” disse ele. “Se não houver oferta no mercado os preços irão subir.”

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