Qualcomm e NXP: as razões por detrás do acordo
Mike Blake/Reuters
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A indústria automóvel está a tornar-se cada vez mais atraente para as fabricantes de chips – o que leva ao aumento de fusões, com as empresas em busca de um lugar ao sol

Estamos perante uma onda de fusões na área da produção de chips – será que irão ajudar os carros a ficarem inteligentes mais depressa?

As altas apostas na área foram enfatizadas ontem pelo acordo de 39 mil milhões de dólares ao redor da compra da NXP Semiconductors pela Qualcomm (NASDAQ: Qualcomm [QCOM]), a maior aquisição na história da indústria de semicondutores e o segundo maior acordo de sempre na área da tecnologia. A NXP (NASDAQ: NXP Semiconductors [NXPI]) é a principal fornecedora de chips para carros, uma grande atração para a Qualcomm que procura expandir o seu segmento de chips para além do mercado de smartphones, em desaceleração.

O novo carro médio tem cerca de 616 chips em comparação com 550 em 2013, de acordo com o estimado pela IHS Markit. O seu valor subiu para cerca de 350 dólares por carro este ano, de cerca de 250 dólares em 2000, de acordo com a Gartner Inc. A Qualcomm não foi a primeira a apresentar uma grande aposta na indústria automóvel, que se está a tornar mais atraente para fabricantes de chips – com as empresas de carros a diferenciarem a sua oferta com tudo desde chamadas sem mãos a rádios alimentados pela internet. A corrida está a tornar-se particularmente intensa com as empresas a focarem-se na condução autónoma perfeita, tecnologia que exige semicondutores mais sofisticados e caros.

A Ford Motor Co. (NYSE: Ford Motor Company [F]), a BMW AG (XETRA: Bayerische Motoren Werke [BMW]) e outras avançaram que terão carros autónomos nas estradas nos próximos anos, enquanto a Tesla Motors já tem um sistema semi-autónomo na estrada. A Tesla começou a distribuir veículos na semana passada que incluem hardware que poderá um dia ser atualizado por software (que será validado e aprovado por reguladores) para funcionar em modo totalmente autónomo. Elon Musk, CEO da Tesla, deseja apresentar a possibilidade de condução autónoma completa até ao final do próximo ano.

4 Ações que irão beneficiar da produção de carros autónomos

A Analog Devices Inc (NASDAQ: Analog Devices [ADI]) citou as aplicações para automóveis como motivação chave num acordo anunciado em julho para comprar a Liner Technology Corp – um acordo avaliado em 14,8 mil milhões de dólares. A NXP tornou-se a principal fornecedora de chips para automóveis ao ter celebrado um acordo avaliado em perto de 12 mil milhões de dólares, no ano passado, para comprar a Freescale Semiconductor Inc.

No entanto, o mercado encontra-se fragmentado há anos entre muitas fornecedoras com especialidades diferentes a competir ao nível dos preços. Enquanto o iPhone tem um chip central para alimentar as suas funções, diversas partes dos carros utilizam chips separados – uma situação que se poderá tornar mais complexa com as fabricantes de carros a adicionarem mais recursos para segurança e outros fins.

“Irão exigir mais capacidade de processamento e serão provavelmente fornecidos [os chips] por diferentes fornecedoras que não estão a trabalhar em conjunto.” – Avançou Dave Sullivan, analista da indústria automóvel na AutoPacific, numa entrevista.

O impulso em direção à condução autónoma exige chips e software mais poderosos para analisar informação e câmaras, radares e outros sensores utilizando tecnologias como o deep learning (aprendizagem profunda). A Tesla Motors Inc. tem-se movido em direção a um sistema de computação central, anunciando na semana passada que escolheu a Nvidia Corp. (NASDAQ: NVIDIA Corporation [NVDA]), fabricante de chips, para parte do hardware para auto-condução que pretende incluir em todos os seus carros novos.

As fabricantes de chips, entretanto, querem utilizar acordos para combinar diversas especialidades que irão ajudá-las a construir influência e a moldar o que os carros futuros farão. Isso significa mais discussões diretas entre fornecedoras de chips e decisores da industria automóvel, o que poderá acelerar o ritmo da inovação – avançou Vincent Roche, CEO da Analog Devices, numa entrevista no início de outubro.

Steve Mollenkopf, CEO da Qualcomm, avançou que os seus executivos viajam rotineiramente à volta do mundo para falar com homólogos das principais fabricantes de smartphones. Não têm esse tipo de relação na indústria automóvel, apesar de venderem chips wireless para carros.

A NXP tem muito mais influência. “É esse o ADN da equipa da NXP.” – Afirmou Mollenkopf.

Rick Clemmer, CEO da NXP, avançou anteriormente como a adição de tecnologia da Freescale permitiu à sua empresa construir módulos multi-chip para criar novas funcionalidades para os carros. Na quinta-feira, avançou que a NXP precisa de experiência como a da Qualcomm ao nível dodeep learning.

“Precisamos de maior potência de computação.” – Avançou durante uma teleconferência com analistas.

Jim Hines, analista na Gartner Inc, concordou que a Qualcomm poderá ganhar uma posição mais estratégica através de acordos com fabricantes de automóveis. Ao mesmo tempo, esse tipo de acordos tende a aumentar a alavancagem das fornecedoras de chips ao nível da negociação de preços com fabricantes automóveis.

Em qualquer caso a Qualcomm irá enfrentar muita concorrência. Além da Nvidia, a Mobileye NV (NYSE: Mobileye [MBLY]) baseada em Israel criou vantagem inicial em chips e software para apoiar funcionalidades de assistência ao condutor. A Intel Corp. (NASDAQ: INTL) também tornou a venda de chips para carros inteligentes a sua prioridade.

A NXP tem muitas mais atrações do que as restantes empresas de chips, avançou Mollenkopf. A empresa tem uma vasta gama de produtos vendidos para mais de 25.000 clientes, e uma muito maior seleção de canais de distribuição que podem ajudar a tecnologia da Qualcomm a encontrar um público maior, avançou.

Irão ambas apoiar o impulso ao nível da Internet das Coisas – sensores, computação e comunicações para todo o tipo de produtos. “Haverá uma grande diferença na tecnologia para os automóveis e para a Internet das Coisas.” – Afirmou Mollenkopf.

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