Como o cérebro afeta as finanças pessoais
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Enquanto ser humano é provável que carregue consigo crenças inconscientes quanto ao dinheiro. Poderá pensar que não merece gastá-lo ou que precisa de mais para ser feliz — e convicções como estas podem conduzi-lo a decisões contraproducentes, sem que se aperceba. No fundo já todos passámos por isso — porém, os pensamentos prejudiciais quanto ao dinheiro não têm de durar para sempre. Segue-se o que deve saber para diagnosticar o que se passa consigo.

Como identificar a sua relação com o dinheiro

Bradley Klontz, psicólogo financeiro, cunhou o termo money script para descrever as nossas crenças básicas quanto ao dinheiro — os roteiros que escrevemos para nós próprios e que não conseguimos deixar de seguir. De acordo com o mesmo existem quatro tipos de roteiros: afastamento do dinheiro, culto do dinheiro, estatuto proporcionado pelo dinheiro e vigilância do dinheiro. Poderá soar incompreensível, mas na realidade é bastante simples.

Afastamento do dinheiro

Se segue este roteiro acredita que o dinheiro é uma coisa má — ou que não merece tê-lo. Poderá pensar que as boas pessoas não devem preocupar-se com dinheiro ou que os indivíduos ricos não merecem a riqueza que têm. Talvez acredite que o dinheiro seja uma fonte de stress, logo será melhor (será até uma virtude) contentar-se com menos.

Culto do dinheiro

Se se encontrar nesta categoria acredita que o dinheiro irá automaticamente proporcionar-lhe felicidade ou satisfação. «Nunca serei rico demais» e «Não é possível ser pobre e feliz» surgem como crenças comuns.

Estatuto proporcionado pelo dinheiro

Se se encaixar nesta categoria a sua autoestima confunde-se com o seu património líquido — o que significa que começa a acreditar em coisas como «O meu sucesso mede-se pelo meu rendimento» ou «O que detenho reflete o meu valor».

Vigilância do dinheiro

Um indivíduo vigilante quanto ao seu dinheiro mantém um acompanhamento cuidadoso (alguns poderão dizer «mesquinho») das suas finanças e acredita em coisas como «Investigar todas as lojas para obter o melhor preço» ou «Poupar sempre para quando for preciso» (embora frequentemente esse dia nunca chegue). Este tipo de pensamento é geralmente bastante útil, mas pode conduzir a comportamentos muito avessos ao risco — que o podem bloquear.

O que a sua relação (ou roteiro) provoca nas suas finanças

Se leu uma das descrições acima e se se sentiu caracterizado então está perante um sinal. Assim que estiver ciente da sua relação com o dinheiro poderá entender melhor como esta afeta as mais importantes decisões monetárias a tomar.

Despesas

As suas decisões quanto a despesas são frequentemente acionadas pela sua psicologia financeira. Se preferir evitar o dinheiro opta por não pensar no mesmo e, muitas vezes, acaba por gastar sem pensar. Se seguir este tipo de lógica poderá parecer mais fácil comprar sem refletir — e lidar com o limite do cartão de crédito mais tarde — do que aprender a orçamentar e a monitorizar as suas despesas.

Os adoradores de dinheiro e os que buscam um estatuto também estão vulneráveis a gasto excessivo. Indivíduos com este tipo de raciocínio poderão saber exatamente quanto estão a gastar (embora nem todos saibam). Porém, para estes gastadores o orgulho da posse é mais importante do que manter um saldo bancário positivo ou viver sem dívidas.

Aquele que vigia o seu dinheiro está mais propenso a gastar menos, o que poderá causar sofrimento emocional e poderá representar custos a longo prazo. Um indivíduo que, por exemplo, decida manter uns ténis velhos para correr, poupando 65 dólares que gastaria com um novo par, poderá sofrer uma lesão que se traduzirá por centenas ou milhares de dólares em gastos no futuro.

Poupança

São muito poucos os indivíduos a poupar o suficiente — e, em alguns casos, a culpa poderá ser da sua relação com o dinheiro. Poupança medíocre poderá muitas vezes ser associada a aspectos como salários estagnados. Porém, o comprometimento com a poupança também está ligado à psicologia financeira. Se for um indivíduo que evita o dinheiro, sente-se desconfortável com o mesmo pois pensa que os indivíduos que detêm são imorais ou maus. Poderá até sabotar a sua poupança para aliviar sentimentos de culpa por ter dinheiro.

No que diz respeito aos adoradores de dinheiro e aos indivíduos em busca de estatuto, a poupança costuma ficar em segundo plano em relação à despesa (ou ostentação). Se for o seu caso não significa que se sinta sempre desconfortável a deter algum dinheiro. Afinal, poderá ser outra forma de impressionar os outros.

O indivíduo vigilante poderá ter uma poupança robusta, o que é definitivamente algo positivo. Todavia, tomar decisões financeiras tendo por base receio não é um caminho que se aconselhe a percorrer.

Investimento

A sua psicologia quanto ao dinheiro também poderá influenciar as suas decisões de investimento, que poderão ter consequências de longo alcance.

Para o indivíduo que procura evitar o dinheiro, investir poderá parecer demasiado arriscado ou complicado. Afinal, se não se interessar não terá de tomar decisões desconfortáveis. Uma pessoa com este padrão tende a seguir a multidão, comprando as chamadas ações «quentes» e liquidando em períodos de baixa, sem pensar muito no resultado.

Aqueles que veneram o dinheiro e os que procuram estatuto optam por investimentos arriscados — em parte porque temem perder «a próxima grande coisa» ou porque querem um atalho para a riqueza. Tal torna-os vulneráveis a investir em bolhas e em esquemas de enriquecimento rápido.

O vigilante também poderá optar por não investir, com o medo de perder dinheiro em desaceleração do mercado a impedi-lo de assumir os potenciais riscos envolvidos. Quando efetivamente investe, foca-se em investimentos que protejam o seu capital. Trata-se de uma aposta que parece segura, mas que corrói o seu poder de compra pois não irá acompanhar a inflação.

Nenhum raciocínio está errado

Embora a sua relação psicológica com o dinheiro possa orientá-lo para a tomada de decisões irracionais, é importante que se lembre que não está nem certo nem errado. Trata-se apenas de lentes financeiras através das quais vê o mundo.

Assim que entender a sua postura quanto ao dinheiro pode pensar duas vezes da próxima vez que tiver de tomar uma grande, ou mesmo pequena, decisão financeira. Será o seu instinto financeiro realmente a melhor opção? Ou é apenas a opção com a qual se sente mais confortável?

Fonte: Forbes

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