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Uma das perguntas mais frequentes é “Eu quero investir no mercado de ações, mas não tenho tempo para analisar as empresas e entender os mercados. O que faço?”. A coisa mais fácil a fazer numa situação destas é investir nos fundos de índice (ETF) cujas ações circulam na bolsa de valores. Evgueniy Slavnov, um analítico da agência russa de classificação RusRating e colunista do Insider.pro, contou-nos como o fazer.

O ETF é um fundo cuja estrutura muitas vezes é igual à do índice de base escolhido. Por outras palavras, isto significa mais ou menos o seguinte: um certo grupo de pessoas juntam o seu dinheiro e assim cria-se um fundo. Os meios do fundo são investidos nos mesmos ativos e na mesma proporção que estes ativos contribuem para determinado índice. Consequentemente, a dinâmica das parcelas dos fundos irá repetir as mesmas operações que as das ações convencionais. Eis a principal caraterística que difere o ETF dos fundos abertos: se você quiser investir no fundo aberto concreto, terá que consultar a sociedade fiduciária correspondente. Além disso, você poderá investir nos ETF atravé de qualquer corretor que tenha instrumentos financeiros deste tipo.

Sendo assim, investir nos ETF permite-lhe investir num ou outro setor económico pelo fator geográfico (por exemplo, você pode comprar os ETF baseados no índice PTC das 50 melhores empresas russas, ou no S&P 500 das 500 maiores empresas norte-americanas), bem como pelo fator do ramo: existem fundos correspondentes a muitas indústrias. Ou seja, se você acredita, digamos, no futuro da biotecnologia, então você investe num ETF correspondente e se tudo correr bem, daqui a alguns anos tornar-se-á um milionário.

Embora a natureza dos ETF seja parecida com a dos fundos abertos e ações, os ETF têm uma série de particularidades que têm que ser levadas em conta.

Vantagens

Diversificação do portefólio

Como a estrutura do ETF é igual à do índice, então ao investir no ETF você recebe automaticamente um conjunto de ativos diversificado. Porque é que isso é importante? Porque quando investe em ações você pode escolher o ramo certo mas a empresa errada. Se você investir apenas numa empresa má, o sucesso do ramo não vai o deixar feliz. Por outro lado, se você investir num ETF, as falhas de alguns participantes do mercado serão compensadas pelo crescimento dos seus concorrentes que também estão incluídos no índice e no fundo.

Transparência do portefólio

Você conhece sempre a composição do fundo em certo momento, pois repete a estrutura do índice. Porém, os fundos abertos publicam as mudanças nos seus portefólios com o atraso de um trimestre, o que pode fazer com que você fique muito surpreso ao ver um extrato regular da sociedade fiduciária.

Liquidez

Diferentemente dos fundos abertos, os ETF são um instrumento de bolsa de valores, o que quer dizer que você pode sempre comprar ou vender as suas parcelas rapidamente. Este fator pode tornar-se crucial na hora da queda dos mercados — neste caso, você pode vender os ETF de imediato, e no caso dos fundos abertos, isto pode levar alguns dias, durante os quais o fundo pode ficar ainda mais barato.

Desvantagens

Despesas com transações

Ao realizar os fundos abertos, geralmente não há despesas com transações, enquanto nos ETF você terá que pagar uma corretagem ao corretor. No entanto, as corretagens não são tão grandes que tal se torne um fator relevante.

Spread

Como instrumento de bolsa de valores, o ETF tem riscos de bolsas, incluindo o de spread (a diferença entre o preço anunciado pelo vendedor e o indicado pelo comprador) com a condição de uma liquidez insuficiente do fundo escolhido. Assim, ao escolher um ETF concreto é preciso prestar atenção à sua liquidez — se o fundo é pouco popular e tem um volume pequeno de negócios, então as transações serão efetuadas com preços piores do que é esperado — você simplesmente não poderá encontrar uma contraparte que queira fechar o acordo com o seu preço desejado.

Conteúdo do ETF

A estrutura do ETF nem sempre é absolutamente igual à do índice. Com bastante frequência, os fundos contêm uma parte em dinheiro (para gerir a liquidez e diminuir os riscos) ou, por exemplo, não incluem certas ações por uma ou outra razão. Na maioria dos casos, tais diferenças face à composição do índice podem ter consequências sérias para o investidor, o que significa que é necessário analisar a estrutura de cada ETF concreto antes de investir.

Em geral, diríamos que os ETF estão entre os instrumentos da bolsa de valores mais fáceis de utilizar. Pela sua natureza acarretam menos riscos e não exigem conhecimentos específicos do investidor, o que torna estes fundos muito populares. Sim, investir em ETF não fará o seu património líquido aumentar radicalmente (se bem que há sempre excepções), mas se você escolher o ramo certo e tiver paciência, mesmo os pequenos investimentos iniciais poderão garantir-lhe uma reforma digna. Repare que, por exemplo, o ETF SPDR S&P 500 (fundo do segmento da biotecnologia do S&P) cresceu quase cinco vezes nos últimos 5 anos — imagine como será daqui a 10 ou 15 anos.

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